A luz na plateia baixa lentamente, as luzes do público apagam-se, a orquestra afina e as notas no palco elevam-se....é mais uma noite na ópera, onde vemos o corpo cantante como representação de prazer e de dor, como desejável e desejoso e também como doente e em sofrimento, já que na ópera tudo isto se mistura.
A ópera é uma arte perfomativa que sempre andou obcecada pela morte, onde as vítimas são frequentemente as mulheres.
Mulheres mortas, mortas tantas vezes. Há aquelas que morrem esfaqueadas, aquelas que morrem só assim, de medo, de desgosto, de ansiedade ou de amor. Há aquelas que morrem envenenadas, enforcadas, mortes violentas, mortes líricas, mortes eloquentes ou silenciosas.
Turandot resiste ao violador mongol; Tosca resiste a polícia; Carmen e Violeta resistem às convenções sociais; Norma resiste a Roma. Não se enquadram na conduta esperada. Portanto, têm de morrer; mas sempre há esta constante: morte pelo ou por causa dos homens, como na realidade.
"A minha gloria acabou"- queixa-se Turandot - é a última aventura da lua livre, o sol masculino levanta-se, a lua põe-se, o senhor soberano e o dia vencem e escapar é um crime.
Concepção e Coreografia
Andrea Gabilondo
Música ao vivo
Sequenza 3 para voz feminina de Luciano Berio
Em gravação
"La Traviata" de Verdi - "Tosca" e "Turandot" de Puccini, "Lucia de Lammermoor" de Donizetti
Interpretação
Silvia Mateus - soprano
Desenho de luzes
Rui Damas
Figurinos e adereços
Susanne Rösler
Produção
La Marmita - Pé de Vento |